“Ouvir um poema é um acto passivo, arrancá-lo do papel nem tanto.” - Tiago Marcos, anuncia “Ela”, o seu primeiro tema de poesia musicada

Acompanhado de Alfaro, o autor de "A Fonte das Palavras", reflete sobre "Ela", a Poesia. O tema estará disponível nas plataformas digitais no dia 26 de fevereiro.

Nascido em Cuba, no Alentejo, nos anos 80, desde cedo que Tiago Marcos viu a palavra como um escape para o mundo real e uma forma de se expressar criativamente e explorar os sentimentos mais diversos. 

Em 2012, fundou com Alfaro, o projeto musical “Esfinge” onde atuava enquanto letrista. Em 2016, publicou o seu primeiro livro "A fonte das Palavras” e em 2020, integrou o projeto "O Eco dos Pássaros”. 

Autor de inúmeros espetáculos de poesia performativa como “Nos Olhos da Noite” e “Esculpir da Sombra” onde partilha palco com Sara Martins, apresenta-nos agora o seu primeiro poema musicado. 

Estivemos à conversa com o autor que nos contou um pouco mais sobre este lançamento.

“Ela” é o teu primeiro tema de spoken word musicado que lanças nas plataformas digitais. Porquê apresentares a tua poesia num formato que normalmente não é tão comum para este tipo de textos?

Foi um desafio lançado pelo Alfaro, mas acaba por ser uma evolução natural do que temos vindo a fazer juntos, com uma estética muito diferente é certo mas musicar poemas, para os "ajudar" é o que já fazíamos em 2012 com Esfinge. Além disso, acho que a poesia é sempre mais para ouvir do que para ler em silêncio, toda a parte fonética fica, obviamente, mais evidente.

Depois, também há a questão de tornar o texto mais fácil de ser recebido. Ouvir um poema é um acto passivo, arrancá-lo do papel nem tanto. Dito isto, e para me contrariar, o texto dito tem sempre mais um filtro e a interpretação que se lhe dá pode limitar algumas leituras que o poema poderia ter, o próprio ambiente sonoro faz isso também.

Portanto, digamos que lançar o “Ela” assim, é um complemento que oferecemos a quem já o leu em papel e ao mesmo tempo um convite para ir procurar mais leituras ao texto, para quem não o fez.

 

Apesar disso, não és um novato na poesia performativa. Como é dar voz em palco às palavras que escreves?

Gosto muito de o fazer, em primeiro lugar porque permite um feedback imediato e gosto disso, associado ao risco de poder falhar na entrega do texto. Há uma ponta de adrenalina de que gosto bastante. E talvez mais importante o facto de dizer os textos em público foi pouco a pouco moldando a maneira como escrevo, acho que fui ganhando uma noção diferente do que resulta ou não quando é dito.

O lançamento de “Ela”, virá acompanhado de um visualizer. Como foi criar o conceito visual do poema?

Foi uma conversa curta com o Alfaro e vimos logo que estávamos alinhados, o poema no fundo é uma descrição, portanto tentei que fosse bastante visual por si só. Haverá outros textos em que a tarefa não nos será tão fácil.

Sentes que a tua escrita mudou muito desde o lançamento do “A fonte das palavras?”

Não sei bem... Certamente que nalguns pontos sim, quero acreditar que está mais madura, ainda que não saiba bem o que isso quer dizer. Há coisas que mudaram, até pela questão de dizer o que escrevo com mais frequência e há mais tempo. Mas há "lugares" onde gosto de voltar e por "lugares" falo tanto de temas como de aspetos mais estéticos também... O "Ela" que lançamos agora é um texto da “Fonte das Palavras”, é até bem mais antigo que a publicação do livro... Foi escrito por uma pessoa que, em muito, eu já não sou. Ainda assim, foi o texto que mais sentido fazia lançar primeiro neste formato.

 

Como prevês o teu futuro na poesia e no spoken word?

Das poucas coisas de que tenho alguma certeza é de que vou continuar a escrever, é uma parte importante do que sou e ajuda muito na laboriosa tarefa de me manter lúcido...

Mas mais em concreto este ano vamos editar o segundo livro, o que leva a apresentações e a mais oportunidades de partilhar os textos num contexto de espetáculo. Em simultâneo, vamos lançar uns quantos textos para as plataformas digitais, à semelhança do que fazemos agora com o "Ela". Acho que vai ser um bom ano.   

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